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Split payment em 2027: o que muda no caixa da sua empresa

Com o split payment, IBS e CBS são separados na hora do pagamento. Veja o antes e depois de uma venda e o que sua empresa precisa fazer agora.
Pagamento dividido em duas setas: uma para a conta da empresa e outra para o Fisco, com nota fiscal ao centro

Hoje, quando você vende, o dinheiro cai inteiro na sua conta. O imposto fica ali, morando de favor no seu caixa, até o dia da guia. Muita empresa usa esse dinheiro como capital de giro sem perceber e só lembra dele no vencimento.

O split payment muda essa lógica. A parte dos novos tributos sobre o consumo (IBS e CBS) passa a ser separada no momento em que o pagamento é liquidado, antes de o dinheiro chegar até você. O mecanismo está na Lei Complementar 214/2025, e a Receita Federal já marcou para 15 de outubro de 2026 o início dos testes técnicos da plataforma.

Isso afeta você? Se a sua empresa vende e recebe por meios eletrônicos de pagamento, a tendência é que sim, mais cedo ou mais tarde. A boa notícia: ainda dá tempo de se preparar sem correria.

O que é split payment, sem juridiquês

Split payment é pagamento dividido: um pedaço vai para você, o outro vai direto para o Fisco.

Pela LC 214/2025 (arts. 31 e 32), quem faz essa divisão são os prestadores de serviços de pagamento e as instituições que operam sistemas de pagamento. Eles separam o IBS e a CBS e recolhem ao Comitê Gestor do IBS e à Receita Federal.

Para funcionar, a nota fiscal e o pagamento precisam conversar. As informações da operação permitem ligar a nota à transação e identificar o valor dos tributos. Antes de liberar o dinheiro, o prestador consulta o sistema do Fisco para saber quanto separar.

Detalhe importante: a lei manda separar a diferença entre o tributo destacado na nota e a parte que já tiver sido quitada de outras formas. Não é um desconto cego sobre tudo o que entra.

Antes e depois: o caminho de uma venda

Hoje (antes)

  1. Você emite a nota fiscal.
  2. O cliente paga.
  3. O valor cheio entra na sua conta.
  4. No prazo, você apura e paga a guia dos tributos.

Com split payment (depois)

  1. Você emite a nota com as informações que permitem vincular a venda ao pagamento.
  2. O cliente paga.
  3. O prestador de pagamento consulta o sistema oficial e separa a parcela de IBS e CBS.
  4. Entra na sua conta o valor já sem essa parcela.

Exemplo ilustrativo (valores hipotéticos)

Imagine uma venda de R$ 1.000. Suponha, só para a conta ficar redonda, que R$ 100 correspondam a IBS e CBS a separar.

Hoje, entram R$ 1.000 e você paga os R$ 100 depois. Com o split, entram R$ 900 na hora. O tributo não muda por causa do mecanismo. O que muda é quando o dinheiro sai.

Atenção: números inventados. As alíquotas reais dependem da regulamentação e do seu caso.

Por que isso pesa no caixa

O dinheiro do imposto deixa de financiar o seu giro. Se hoje você paga fornecedor ou folha com o valor que, lá na frente, iria para a guia, vai sentir a diferença.

Quem tem margem apertada, vende muito a prazo ou antecipa recebíveis precisa olhar isso com carinho. O impacto não será igual para todos, por isso vale simular antes. O lado bom: imposto que não entra na conta não é gasto por engano.

Em que pé está o cronograma

  • 28/08/2026: o Ato Técnico Conjunto RFB/CGIBS nº 4 tratou da documentação da plataforma pública do split payment. O Comitê Gestor do IBS publicou os manuais técnicos (integração, operações, tempos, segurança, redes e habilitação de participantes).
  • 15/10/2026: começam os testes de integração entre os prestadores de serviços de pagamento e a plataforma. Segundo a Receita, é um ambiente controlado, sem transações definitivas e sem impacto em operações reais ou consumidores.
  • 13/11 e 16/11/2026: formulários disponíveis e abertura de inscrição para os demais prestadores de pagamento entrarem nos testes.

E 2027? Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada, o uso em 2027 deve ser facultativo, com previsão de disponibilidade no segundo semestre e início pelas operações entre empresas (B2B). Ainda não há data confirmada para a obrigatoriedade.

Traduzindo: os testes de outubro envolvem bancos e empresas de pagamento, não você. Nada muda no seu extrato agora, mas o relógio já está correndo.

O que sua empresa precisa fazer agora

  1. Mapeie como você recebe. Pix, cartão, boleto, marketplace, transferência. Saiba quanto entra por cada canal.
  2. Separe o imposto desde já. Crie uma provisão ou conta separada para os tributos. É um ótimo treino para o “depois”.
  3. Simule o caixa com o valor líquido. Projete alguns meses considerando que a parcela dos tributos não entra. Faça isso com o seu contador.
  4. Converse com o fornecedor do sistema emissor ou ERP. Pergunte como ele vai tratar IBS, CBS e as informações que ligam a nota ao pagamento.
  5. Pergunte ao seu banco e à maquininha. Como vão aplicar o split e como ficará a conciliação dos recebimentos?
  6. Revise prazos e capital de giro. Vendas a prazo e antecipações podem precisar de ajuste.
  7. Deixe cadastro e notas em ordem. O split depende de dados corretos. Nota errada pode virar dinheiro retido ou conferência extra.
  8. Acompanhe a regulamentação. Ainda há regras a definir; combine com sua contabilidade quem monitora.

Quem se antecipa, sofre menos.

Perguntas frequentes

O split payment é um imposto novo?

Não. É uma forma de recolher o IBS e a CBS no momento do pagamento. A lei o trata como uma das modalidades de quitação desses tributos.

O split payment será obrigatório em 2027?

Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada, o uso em 2027 deve ser facultativo, e a data da obrigatoriedade ainda não foi definida. Vale acompanhar os próximos atos da Receita e do Comitê Gestor.

Empresas do Simples Nacional e MEIs serão afetados?

Os detalhes para cada regime dependem da regulamentação. Para quem está no Simples, a escolha de recolher IBS e CBS dentro ou fora do DAS também entra na conta. Explicamos isso em Simples híbrido: vale a pena recolher IBS e CBS fora do DAS?

Quem entende, resolve

O split payment não é bicho de sete cabeças, mas mexe no que mais dói: o caixa. E cada empresa vende e recebe de um jeito.

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Fontes consultadas

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2 comentários em “Split payment em 2027: o que muda no caixa da sua empresa”

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